Um Encontro com o Mestre Steve Wozniak
2 setembro, 2008 por Nick Ellis
Ontem estive em Belo Horizonte a convite do B.I Foundation para o evento Gestão do Futuro, no qual eu tive o enorme prazer de assistir a uma palestra sobre inovação e criatividade com ninguém menos que Steve Wozniak, co-fundador da Apple, e um dos meus maiores ídolos de todos os tempos.
Eu cheguei em cima da hora e encontrei o Cardoso do MeioBit e conheci o Filipe do Blog.Mac Magazine, completando o trio de blogueiros presentes no evento, não por acaso representando três dos maiores blogs de tecnologia do Brasil. E eu não sei se é sorte minha, mas praticamente todos os blogueiros que conheci até hoje são pessoas muito legais.
Antes da palestra de Wozniak, uma bela surpresa, um show da minha conterrânea Fernanda Abreu, que tocou suas músicas mais conhecidas diante de uma platéia com mais de 1000 pessoas, formada basicamente por executivos e funcionários de grandes empresas. Fernandinha até brincou com a gente, os três blogueiros sentados nas filas do gargarejo, dizendo que também queria o seu crachá, e mandando um alô para Mr. Woz antes de deixar o palco.
E então surgiu Woz, e sem perder tempo já começou a contar suas incríveis histórias. Munido do meu iPhone e de um programa de gravação de voz, registrei emocionado todo o discurso de Woz, e desde ontem já escutei algumas vezes.
Woz começou pela sua infância, contando porque decidiu se tornar um engenheiro como o seu pai. Ele adorava criar coisas que fossem úteis para as pessoas. O bom humor de Woz é contagiante, e se reflete em tudo o que fez na vida.
Steve contou entre muitas outras coisas, como foi o seu primeiro encontro com seu xará Jobs, ainda garotos, no qual eles se analisaram através das coisas diferentes e não usuais que tivessem feito. Assim como ele, Steve Jobs também era fã de brincadeiras e de pregar peças sadias nos outros. A empolgação que ambos sentiam ao desafiar o lugar comum uniu aqueles dois jovens amigos para sempre.
Woz sempre foi essencialmente um apaixonado por computadores, que usava todo o seu tempo livre para programar, muitas vezes deixando de dormir para aproveitar os computadores que estivessem disponíveis, tanto na empresa na qual trabalhava quanto em universidades. Segundo ele, um computador precisa computar, afinal ele foi feito para isto! Para Woz não fazia o menor sentido deixar um computador ocioso durante uma noite inteira, enquanto ele podia estar sendo usado para tantas coisas.
Steve Jobs foi essencial para Woz, e vice-versa. A dupla Woz & Jobs para mim atingiu a mesma química de duplas imortais como Lennon & McCartney, George & Ira Gershwin ou Tom & Vinicius. Sabe quando a coisa encaixa perfeitamente? Pois foi exatamente o que aconteceu. Woz criava coisas incríveis, de desafiar a imaginação, e Steve Jobs soltava a sacada perfeita: “a gente pode vender isto!” Eles se completavam em todos os sentidos, um era o gênio que criava computadores cada vez menores e mais eficientes, o outro era o mestre do marketing, além de também ter idéias incríveis.
Woz contou que precisou largar os estudos para trabalhar durante um ano, para poder pagar o resto. Ele entrou por acaso em uma empresa, e descobriu que eles estavam construindo um computador. Woz foi trabalhar ali, e durante a noite, se dedicava aos seus projetos. Um dia outro funcionário chegou e viu que ele estava trabalhando em um projeto pessoal, e o criticou por isto. Segundo Woz, o que ele devia ter feito era aplaudir a iniciativa, porque foi durante este período que ele descobriu uma falha no computador que estava sendo desenvolvido pela empresa.
E logo Woz ia conseguir realizar o seu grande sonho de engenheiro, que era trabalhar na HP, desenvolvendo sistemas e programando calculadoras que ele tanto gostava, mesmo sem um diploma. Enquanto isto, Steve Jobs largou a faculdade e foi trabalhar na Atari, onde os dois passaram quatro noites sem dormir para criar o jogo breakout.
Woz desenvolveu um terminal, nada mais que uma tela e um teclado, para se conectar a computadores em outras partes dos Estados Unidos, o que lhes dava uma sensação de poder. Então ele pensou, porque não colocar uma memória nisto e me conectar ao meu próprio computador? Assim nasceu o primeiro computador verdadeiramente pessoal do mundo. Woz ofereceu sua criação para a HP, que não acreditou no potencial do negócio.
Apesar de não ter a menor idéia do aspecto business, os dois amigos não desistiram, e encontraram um investidor Angel que os ajudou a comercializar seus primeiros produtos. E foi assim que Steve Jobs e Steve Wozniak mudaram o mundo como conhecemos, lançando o Apple II. Mas o que Woz queria mesmo era continuar sendo um engenheiro, e isto ele conseguiu, mesmo com todo o sucesso alcançado pela Apple.
Woz também contou sobre Bill Gates e um contrato do sistema Basic, numa época em que a Microsoft tinha pegado a Apple “pelos cojones”! Foi inevitável lembrar do filme “Piratas de Silicon Valley”, e ficar imaginando como deve ter sido este período na vida de Bill, Steve e Woz.
Steve Wozniak é uma inspiração constante na vida de quem é fanático por computadores e tecnologia, e mostra na prática que para ter sucesso na vida, é preciso ser criativo e obstinado, sem se prender aos limites que escolas e empresas podem exercer sobre você.
No final da palestra nós ainda conseguimos conversar com Woz, e tirar aquelas clássicas fotos de tiete (olha só a minha cara de fanboy lá em cima). O papo estava tão bom que nos esquecemos de pedir os inevitáveis autógrafos, mas a alegria de conversar pessoalmente e trocar idéias com o seu eterno ídolo é uma coisa indescritível, que nunca vai sair da cabeça.

Também ganhei um cartão do Woz, o mais espetacular que eu já vi na minha vida (a foto não faz justiça), feito em uma chapa metálica recortada, com os textos em inscrições a laser.
Eu queria agradecer muito a Paula e a Juliana da BI Internacional pelo apoio e ajuda. Vocês são nota 10!
Este post termina aqui, mas o assunto continua na minha coluna da próxima sexta no Yahoo! Posts.
Leia também:
MacMagazine no Gestão do Futuro, com Steve Wozniak
Steve Wozniak - Primeiras Impressões - Sim Ele é Deus, mas no bom sentido
Update: Clique abaixo para ver outra foto.

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28 Comentários para “Um Encontro com o Mestre Steve Wozniak”
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2 setembro, 2008 às 18:08
Woz está para os computadores o que Chuck Berry está para o rock. Espírito hacker para mim está sempre ligado a figura do Woz.
Muito legal a matéria. Será que não dava para disponibilizar o áudio da apresentação?
2 setembro, 2008 às 18:14
Sensacional cara! Mas faltou as fotos do cartão do Woz!!! =)
2 setembro, 2008 às 18:15
[...] conhecer alguém que se admira e ser tratado como um igual é realmente uma experiência única!
Parabéns!
Muito Sucesso!
2 setembro, 2008 às 18:16
Ola Nick tudo bem? Gostei bastante do post sobre a palestra do Wozniak, realmente deve ter sido muito interessante. Alias, nao sei se seria pedir muito para voce liberar o arquivo de áudio da palestra dele, seria demais. De qualquer maneira obrigado e até mais.
2 setembro, 2008 às 18:22
Rodrigo, concordo inteiramente com você.
Eu vou tentar disponibilizar o áudio, mas o programa que usei só envia arquivos de áudio de no máximo 2 minutos, e a palestra do Woz teve 1 hora e 10 minutos.
2 setembro, 2008 às 18:24
Miguel Akira, vou subir as fotos do cartão daqui a pouco!
2 setembro, 2008 às 18:25
Prof. Vaz sem dúvida, foi uma experiência inesquecível! E muito obrigado por tudo!
Olá Sandro, estou tentando viabilizar a publicação da palestra, mas além da questão de retirar o arquivo do iPhone, a qualidade de áudio também não é boa. Vamos ver se dá certo.
2 setembro, 2008 às 19:54
Um dia terei tal honra ¬¬
E o Nick está parecendo o Max Fivelinha nessa foto, vocês não acham?
2 setembro, 2008 às 20:00
Tipo, foi uma brincadeira Nick.
2 setembro, 2008 às 22:19
Olá Nick! Te conheci lá na entrada da palestra, mas não cheguei a entrar. Pela sua cobertura, parece que é uma experiência única uma palestra do “Woz”.
Se em um futuro próximo tiver uma nova palestra, darei meu jeito de participar.
Espero que tenha gostado de Belo Horizonte!
Abraço!
2 setembro, 2008 às 22:58
Opa.. E aí Nick!
Que satisfação deve ter sido pra você, só de ler o post eu fiquei empolgado.
Você devia ter dado o toque que viria para Belo Horizonte, que a gente encontrava por aqui.
Estava sentindo falta de comentar aqui.
Grande abraço,
2 setembro, 2008 às 22:59
Ah.. Por favor, tenta mandar uma foto desse cartão do Woz.
Deve ser muito bacana feito em chapa metálica.
3 setembro, 2008 às 8:36
Queremos a foto do cartão que você conseguiu com Wozniak. Pela sua descrição, esta palestra deve ter sido única.
Sua felicidade era tanta que nem olhou pra foto.rs
Abraços
3 setembro, 2008 às 11:14
Nick, fico contente que tenha aproveitado a oportunidade. Pelas suas palavras (texto) vejo que o Woz foi movido pela paixão no que fazia. Talvez seja a “verdadeira receita do sucesso”.
3 setembro, 2008 às 11:23
Opa, eu também quero uma cópia desse áudio…
3 setembro, 2008 às 11:41
Troco rim e/ou fígado pelo audio da palestra!!!!!!
=)
3 setembro, 2008 às 11:42
Fábio, Max Fivelinha é maldade!
Rafael, foi ótimo ter te conhecido, abraço!
Richter, a viagem foi uma correria, queria ter ficado uns dias aí, mas não deu. Um abraço!
Zeca, a foto do cartão já está no post. A felicidade era grande mesmo, e eu e o Woz ficamos brincando de tirar foto, cada um olhou para uma câmera.
Osvaldo, sem dúvida, a receita do Woz é infalível. Vou escrever mais sobre isto no Yahoo! Posts.
Filipe, por enquanto o áudio está perdido dentro do iPhone, mas estou tentando retirar via SSH.
3 setembro, 2008 às 13:32
O diferencial seu e do blog, é que você é conhecido pela blogosfera toda, e ocupado como todos nós, mas da atenção aos seus leitores, respondendo os comentários. De todas as “estrelas” de blogs, podemos contar na mão do Lula os que fazem isso e você é um deles. Parabéns.
Obs:Estou seguindo-lhe no Twitter
3 setembro, 2008 às 13:39
Woz é isto mesmo. Simpático, prestativo, curioso, interessante, genioso. Ele tem uma personalidade muito carismática.
Eu o visitei em sua casa, neste mesmo endereço do cartão acima, em dezembro de 1998. Ele me mostrou tudo, tirou fotos comigo, fez questão de querer saber sobre o Brasil. Conversamos sobre os clones de Apple2, sobre o Unitron Mac512, sobre MSX, sobre Commodore Amiga, sobre a Apple…
Enfim, um dia inesquecível em minha vida.
E garanto que será inesquecível também na sua, Nick.
Abraços
Eduardo Loos
Colecionador de micros e videogames antigos
loos@terra.com.br
Brusque - SC
3 setembro, 2008 às 14:03
Stack, hahaha! Eu ainda estou tentando, mas estou quase perdendo as esperanças de conseguir retirar o áudio.
Valeu Zeca, infelizmente não tenho tempo viável para responder a todos os comentários, mas se pudesse, faria mesmo isto.
Eduardo Loos, deve ter sido uma experiência única visitar a casa do Woz! E nada melhor do que conversar com o seu ídolo, não é mesmo? Eu nunca mais vou me esquecer deste dia.
Abraços!
3 setembro, 2008 às 14:17
Nick muito maneiro, adorava todas as vezes que ele aparecia no The Screens Savers, era sensacional. Que emoção hein amigo, conhecer o Woz. bjs
3 setembro, 2008 às 14:40
Veri, foi uma emoção muito grande! Woz is GOD!
3 setembro, 2008 às 14:40
Deve ter sido realmente muito legal esta palestra. Existem outras disponíveis na Internet, como a que ele deu no Computer History Museum, mas nada como ver ao vivo.
Dois pequenos detalhes:
Já existiam computadores do mesmo estilo antes do Apple I. Acho que o Woz não conhecia nenhum deles e ele conta a história do ponto de vista pessoal. Mas seria injusto esquecermos o IBM 5100, Sol e outros.
A outra coisa é que o Woz vendeu sua calculadora e o Jobs sua Kombi para terem dinheiro para fabricarem o Apple I. O investimento do “angel” Mike Markkula permitiu a mudança de escala necessária para o Apple II.
3 setembro, 2008 às 14:55
Jecel, tenho certeza que Woz conhecia estes computadores, mas eles eram muito caros e não eram voltados para os usuários comuns. Para mim o Apple I é mesmo o primeiro computador pessoal.
Woz contou a história da calculadora e da van na palestra e ela é mesmo ótima! Ele também falou sobre o investidor “angel” Mike Markkula, mas não dava para citar tudo o que ele falou neste post.
3 setembro, 2008 às 20:54
Pela sua descrição, esta palestra deve ter sido única
4 setembro, 2008 às 16:54
Foi maldade, eu admito
4 setembro, 2008 às 18:28
Nick, acho que o Woz seria o primeiro a reconhecer que nunca foi de acompanhar o trabalho dos outros. Às vezes isso o levava a reinventar a roda e às vezes a criar simplificações radicais (como o controlador de discos do Apple II, por exemplo).
Por exemplo: ele não conhecia nada sobre microprocessadores quando um amigo o arrastou para a primeira reunião do Homebrew Computer Club. Lá ele descobriu o que estava perdendo e a motivação para criar o Apple I. Estas reuniões, ao juntarem quase todos os participantes daquela indústria nascente, davam ao Woz uma boa idéia sobre o que os outros estavam fazendo. Como não podia deixar de ser, ele aproveitou isso para pregar uma peça:
http://www.woz.org/letters/general/109.html
6 setembro, 2008 às 22:46
Sua cara de feliz nos diz tudo Nick. Nem é preciso dizer que o seu artigo e do Cardoso estão foram excelentes.
Se bem, que poderia sortear os cartões de visitas não é? rs rs